quarta-feira, 30 de junho de 2021

HOMEOPATIA NO CÂNCER: Estudo Randomizado

  A Homeopatia pode ser usada como forma aditiva no tratamento do Câncer, isto é, ser acrescentada ao tratamento. Estudo multicêntrico recente (2020) avaliou o uso da Homeopatia de forma concomitante ao tratamento convencional para Câncer de Pulmão, visando observar se havia mudanças na qualidade de vida e na sobrevida de pacientes acometidos pela doença.

O câncer de pulmão pode ser muito agressivo e uma das principais causas de mortalidade relacionada ao câncer, sendo a primeira nos Estados Unidos da América. As propostas terapêuticas vigentes se baseiam no procedimento cirúrgico e quimioterapia para os casos mais avançados e inoperáveis, mas com prognose ainda adversa, daí a necessidade e o uso de novas terapias que possam auxiliar ou potencializar o tratamento. Estudo feito na Áustria com Homeopatia mostrou o auxílio desta. O estudo foi feito em unidades nosocomiais de atendimento, ensino e pesquisa para o Câncer, em Vienna, Tyrol e Lienz.

Trata-se de estudo que, além de Multicêntrico, é de fase III (avalia nova proposta junto à atual para uma determinada doença numa determinada população), sendo acompanhados 158 pacientes elegíveis, com câncer de Pulmão não-pequenas células, em caráter prospectivo e de forma randomizada, duplo-cega, placebo-controlada e com três braços: um grupo recebendo o tratamento convencional e homeopatia (n=51), um segundo grupo com tratamento convencional e placebo (n=47) e um último grupo recebendo apenas quimioterapia (n=52). 

Os principais desfechos avaliados foram a qualidade de vida, mediante questionários específicos, e sobrevida. Durante o acompanhamento, de 2 anos, a qualidade de vida e a funcionalidade foram maiores no grupo Homeopatia (p<0.001) e a sobrevida também foi maior neste grupo (435 dias) comparado ao placebo (257 dias) e ao grupo controle (228 dias, valor p=0.001). 

Os autores concluem que a Homeopatia aditiva melhorou significativamente a qualidade de vida quando comparada ao placebo e ao controle, e este fato talvez colabore para o prolongamento da sobrevida, abrindo margem para novos e pioneiros estudos com a Homeopatia no campo oncológico.

 


Referências:

Frass M, Lechleitner P, Grundling C et al. Homeopathic Treatment as an Add-On Therapy May Improve Quality of Life and Survival in Patients With Non-Small Cell Lung Cancer: A Prospective, Randomized, Placebo-Controlled, Double-Blind, Three-Arm Multicenter Study. The Oncologist 2020;25:e1930-e1955.


segunda-feira, 3 de maio de 2021

COVID-19 e remissão de Linfoma

 


Recentemente, uma publicação na revista britânica de Hematologia chamou a atenção de pesquisadores no mundo todo, porém ainda assim, com repercussão midiática pífia. Trata-se da remissão clínica de Linfoma de Hodgkin, após infecção pelo SARS-CoV-2 (1).

O breve relato, que pode ser encontrado na íntegra devido a ser referente à COVID-19, descreve um caso de idoso de 61 anos, portador de nefropatia por IgA em hemodiálise, diagnosticado com LH, associado ao vírus Epstein-Barr (EBV), estadio III (captação positiva superior e inferior ao diafragma em PET-scan). Pouco após o diagnóstico, evoluiu com dispnéia e sibilância, sendo diagnosticado com pneumonia por COVID. O paciente permaneceu internado em observação por 11 dias, com tratamento de suporte, sem, contudo, uso de imunoterapia ou corticosteróides. Dentro de 4 meses, a linfadenopatia palpável havia reduzido e um novo PET-scan revelou resolução abrangente, além do título viral de EBV ter reduzido em mais de um log (1). 

Os autores do relato têm por hipótese que a infecção pelo COVID foi o gatilho para uma resposta anti-tumoral, como uma reatividade cruzada de células-T antígeno-específicas e células NK ativadas pela inflamação (1).

Fenômenos similares já foram vistos anteriormente, conforme referenciado no próprio artigo (remissão de linfoma de grandes células B após infecções [2]), e também ao longo da história, em situações e doenças diferentes (3,4). A Lei de Cura pela Semelhança, ou similia simillibus curentur, notada por Hipócrates, foi interpretada e desenvolvida por Hahnemann (3,4), na Ciência da Homeopatia. O enunciado do princípio de Similitude infere que pode-se curar uma doença por remédios que provocam no indivíduo sadio sintomas análogos àqueles da doença. Hahnemann esclarece, ainda, que a doença natural, sendo mais fraca que a artificial semelhante, se extingue (parágrafos 29 e 45 do Organon [4]). O mesmo é observado para uma nova doença natural semelhante à primeira em sintomatologia, havendo aniquilação mútua das duas enfermidades (4).

Expondo os fatos, sem opinião, buscamos apenas igualmente estudar mecanismos de retorno à saúde à visão homeopática.

Referências:

1. Challenor, S. and Tucker, D. (2021), SARS‐CoV‐2‐induced remission of Hodgkin lymphoma. Br J Haematol, 192: 415-415. https://doi.org/10.1111/bjh.17116

2. Buckner TW, Dunphy C, Fedoriw YD, van Deventer HW, Foster MC, Richards KL, et al. Complete spontaneous remission of diffuse large B‐cell lymphoma of the maxillary sinus after concurrent infections. Clinical Lymphoma, Myeloma & Leukemia. 2012; 12: 455– 8.

3. Romanach AK. Esboço Histórico sobre a “Lei do Semelhante", Fundamento da Homeopatia. Rev Med, out 1981; vol 63, n 1 e 2, p 16-19

4. Hahnemann S. Organon da Arte de Curar. Tradução da 6ª Edição alemã. GEHSP Benoit Mure; 5ª Edição Brasileira, 2013.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Homeopatia em Diarréia Infantil


A Homeopatia é amplamente usada em afecções digestivas. A diarréia infantil aguda também é uma delas. Meta-análise de três estudos controlados e randomizados sobre homeopatia em diarréia aguda de crianças evidenciou resultados favorecendo seu uso além da reidratação oral. Aqui discutimos um resumo breve, recomendando a aquisição e leitura do artigo.
A Diarréia Aguda na infância (ou gastro-enterocolite aguda) é uma das causas de óbito infantil nos países em desenvolvimento, sendo ambos os quadros agudo e crônico fatores contribuintes para a desnutrição infantil. Nos países desenvolvidos, ainda é um quadro de morbidade e dispendioso no sistema de saúde. O tratamento recomendado consiste na terapia de reidratação oral (TRO, ou soroterapia), a qual reduz a desidratação e o risco de morte, mas não reduz a duração da síndrome. 
A meta-análise em questão avaliou três estudos randomizados e controlados, realizados em Nicaragua em 1990 e 1991, e o terceiro em Jorpati no Nepal. Um total de 247 crianças foram analisadas, com idades entre 6 meses a 5 anos e diarréia (foi considerado ao menos 3 evacuações não-formadas) por até 7 dias (5 dias no Nepal). Foram excluídas do estudo crianças que receberam medicamento antidiarreico até 48 horas antes do homeopático, bem como aquelas que necessitaram de hospitalização. A prescrição do medicamento homeopático foi feita por médicos locais em cada área, sendo o investigador principal o mesmo para os diferentes estudos. 
Os pacientes foram randomizados em dois grupos, tratamento e controle. As medicações foram dispensadas na potência 30CH, ou placebo, sendo usadas por até 5 dias (no estudo de 1990, foram usadas por 3 dias). Todo o pessoal do estudo permaneceu cego para a medicação sendo usada. Todo paciente também recebeu TRO, e foram ministradas visitas domiciliares diárias para reavaliação durante 5 dias, por profissionais de saúde locais. O desfecho primário avaliado foi a duração da diarréia, definida como o número de dias até haver menos de 3 evacuações não-formadas. Também foi avaliado o número médio de evacuações ao dia. 
As análises estatísticas foram rigorosas, utilizando-se o teste t para comparação de características descritivas, curva de Kaplan-Meier para duração ou probabilidade de diarréia vs. Tempo, bem como o teste regressivo de Cox quando das diferenças em randomização (idade, peso e outras variantes); ainda, a consistência dos efeitos e o impacto do tamanho de amostras foi considerada em meta-análise, postas em gráfico com intervalos de confiança de 95%.
Quando visto em conjunto, dos 247 pacientes totais somados, 230 fizeram o acompanhamento completo por 5 dias, com resultados para estes últimos mostrando uma redução de 18,5% na duração da diarréia para o grupo tratamento (3,8 dias no grupo placebo vs. 3,1 dias no grupo Homeopatia, valor P =0,008). O número de evacuações por dia dentro dos 5 dias foi de 2,7 dias para o grupo tratamento, contra 3,4 dias para o grupo placebo (P=0,004). O gráfico analítico evidenciou diferenças similares na duração do período diarreico comparado inter-grupos (tratamento vs. Controle) entre os três estudos (0.61, 0.78 e 0.68 dias respectivamente para cada estudo). A meta-análise encontra ainda um efeito similar na duração (0.66 dias), com intervalo de confiança de 0,16 a 1,15 (P=0,008).
Vistos os resultados, os autores discutem os achados, sugerindo que o resultado não é oriundo de um fator estatístico ou viés sistemático. Cabe notar que os resultados dos estudos em sua análise individual prévia, não mostraram significância estatística, ou esta foi marginal (borderline); contudo, o número de indivíduos (n) não era significativo para cada um, o que vem a mostrar o poder do tamanho amostral, quando vistos em conjunto por meta-análise. A uniformidade dos efeitos encontrados entre os estudos, que envolveram locais e profissionais diferentes no mundo, sugere que há um efeito real e consistente para o uso da Homeopatia nesta condição. Os autores ainda lembram da dificuldade de realização de estudos de terapias alternativas, na Homeopatia devido a individualização do medicamento, bem como limitados fundos e aquisição de amostragem de tamanho ótimo.
Os autores concluem que a Homeopatia deve ser considerada de forma abrangente, em combinação com a TRO, para a diarréia aguda infantil.

Referência:
JACOBS, JENNIFER MD, MPH; JONAS, WAYNE B. MD; JIMÉNEZ-PÉREZ, MARGARITA MD, PhD; CROTHERS, DEAN MD Homeopathy for childhood diarrhea: combined results and metaanalysis from three randomized, controlled clinical trials, The Pediatric Infectious Disease Journal: March 2003 - Volume 22 - Issue 3 - p 229-234 doi: 10.1097/01.inf.0000055096.25724.48



sábado, 3 de abril de 2021

Homeopatia em Amigdalite




A amigdalite constitui uma inflamação infecciosa aguda das tonsilas palatinas, sendo alvo constante de antibioticoterapia, por vezes recorrente, além de procedimentos cirúrgicos (amigdalectomia) visando a redução dos ataques. As amigdalites recorrentes são queixas encontradas com frequencia na pediatria, havendo uma época (primeira metade do século passado) em que a cirurgia era indicada para quase todas as crianças. No entanto, em meados da década de 60, estudos mostraram a ineficácia da conduta em muitos casos. 
A Homeopatia também é utilizada no tratamento e controle das amigdalites de repetição em pediatria. Fazemos aqui um breve resumo de estudo duplo-cego, realizado na UNIFESP e Hospital São Paulo, com 40 indivíduos de 3 a 7 anos, apresentando o diagnóstico em questão, sendo randomizados para um grupo em uso de placebo e outro com uso de medicação (metade dos pacientes para cada grupo). Dessa amostragem total, houveram 7 desistências, sendo 5 do grupo placebo. Os pacientes foram submetidos a tratamento e acompanhamento para efeitos do estudo, por 4 meses. O pesquisador e o paciente não sabiam se o medicamento ministrado era placebo ou homeopático.
A análise estatística mostrou, no grupo Medicação (n=18): 14 pacientes não apresentaram amigdalite e 4 apresentaram (respectivamente 78% e 22%, valor p=0,015); e no grupo Placebo (n=15): 10 pacientes apresentaram amigdalite e 5 não apresentaram (respectivamente, 67% e 33%, valor p=0,015). A análise favoreceu significativamente o grupo Medicação, tendo os autores concluído pela eficácia da Homeopatia, a qual removeu 14 crianças da indicação de cirurgia.
A homeopatia pode ser usada como alternativa nas amigdalites recorrentes, reduzindo tempo de antibioticoterapia e procedimentos cirúrgicos. Ainda, os autores lembram que não houve efeitos adversos com o tratamento homeopático.

Referência:
Furuta SE, Wecks LM, Figueiredo CR. Tratamento Homeopático da Amigdalite Recorrente em Crianças: um Estudo Randomizado Controlado. Revista de Homeopatia: São Paulo, 2007;70:21-26. Republicação: Rev. Homeopatia, São Paulo; 80(1/2): 164-173, 2017. 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Homeopatia na Medicina Veterinária I



Você sabia que a Homeopatia também é utilizada em animais, com respostas clínicas documentadas1,2? Neste post vamos falar sob cinomose canina, doença provocada por um paramixovírus chamado vírus da cinomose canina (CDV: Canine Distemper Virus)1,2,3.

A cinomose é uma infecção sistemica, se caracterizando por secreção nasocular serosa, pústulas em abdome, hiperceratose em focinhos e coxins, e, com a progressão da doença, atinge o sistema nervoso central (SNC). Neste momento o animal passa a apresentar mioclonias, paresias, paralisias e convulsões1,3. Há igualmente tropismo viral pelos tecidos oculares, o que pode acarretar úlceras corneanas e cegueira1. Exames hematológicos podem demonstrar linfopenia, trombocitopenia e monocitose (infecção crônica)1,3. O diagnóstico pode ser realizado pela demonstração da presença do vírus, por PCR, imunofluorescência direta, anticorpos séricos ou microscopia eletrônica 1,3.

A vacinação anual dos cães é a única forma de prevenção da doença1. O tratamento desta entidade nosológica é inespecífico, e inclui suporte hidroeletrolítico, antibióticos quando necessário para infecção bacteriana secundária e agentes neurotrópicos, visando estabilização da doença. O soro hiperimune contra CDV pode ser usado para neutralizar o vírus livre na corrente sanguínea, mas não impede o avanço em SNC, se já houver sintomas neurológicos; nos casos avançados, é indicada eutanásia1,3.

Foi o caso, por exemplo, do cão Zeus2, diagnosticado com cinomose e sintomatologia neurológica grave, relatado no blog Homeopatia Brasil. Recebendo tratamento homeopático, apresentou estabilização dos simtomas. Outro cão, relatado no estudo de Barreto DS1, apresentou quadro sistêmico caracterizado por febre, tosse, hiporexia e secreção nasocular mucopurulenta, quando iniciou terapia de suporte, porém progrediu com sinais neurológicos: mioclonia, incoordenação motora, apatia e tendência ao isolamento. Após avaliação homeopática, fez uso de Carbo animalis 6 CH, e florais de Bach. Com cinco dias do tratamento, já foi descrita melhora clínica, retorno de sociabilidade do animal e estabilidade motora.

Ainda, neste último caso, acompanhamento com hemogramas realizados nos dias zero, 30 e 60 dias após introdução do medicamento homeopático, evidenciaram anemia, linfopenia e trombocitopenias iniciais com melhora progressiva. Com um mês de tratamento, e visto a estabilidade clínica do animal, optou-se por parar o medicamento, entretanto houve recidiva das alterações comportamentais, sendo retornado o tratamento, de forma contínua, com nova estabilidade clínica1.

São pequenos relatos iniciais do uso da homeopatia em animais, mas mostrando que a Homeopatia pode ser usada, mesmo na veterinária, podendo ter resultados clínicos apreciáveis.

 

Referências:

1.       Barreto, DS. Abordagem homeopática de paciente canino infectado pelo vírus da cinomose: Relato de caso. Trabalho de conclusão de curso. Cuiabá, Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, 2016.

2.       Homeopatia Brasil. A homeopatia veterinária e a melhora de Zeus. Abril 10,2020. Acesso em: Jan 18, 2021. Disponível em: https://homeopatiabrasil.com.br/a-homeopatia-veterinaria-e-a-melhora-de-zeus/

3.       Portela VAB, Lima TM, Maia RCC. Cinomose Canina: revisão de literatura. Medicina Veterinária (UFRPE),2017; Recife, v.11, n°3 (jul-set), p162-71.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Homeopatia na COVID-19: I



Você sabia que a Homeopatia pode ser usada de forma eficaz em epidemias? No caso da COVID-19 (Doença pelo novo Coronavírus 2019), existe pouca abordagem sob atendimento aos pacientes com síndrome respiratória leve, sem um método terapêutico definitivo no começo do quadro, o que permite que a doença curse sua história natural de acordo com a susceptibilidade de cada indivíduo1. 

A Homeopatia já foi usada em epidemias por diversas vezes no passado, a saber: em 1799, S.Hahnemann descreveu a eficácia da Belladonna no controle e profilaxia de uma epidemia de Escarlatina; outros medicamentos foram usados com boa resposta na cólera asiática em 1831 e em 1849 na Europa; foi obtido controle em difteria na cidade de Nova Iorque entre 1862-1864; a gripe espanhola também foi tratada com Homeopatia nos Estados Unidos a América em 1921; ainda, no Brasil, foi feito estudo e uso de medicamentos homeopáticos com resposta na epidemia de dengue entre 2008-20122; e há ainda vários outros exemplos do uso da Homeopatia nas epidemias1.

Desde a eclosão da COVID-19, vários grupos homeopáticos ao redor do mundo iniciaram pesquisas sob os medicamentos usados na epidemia. A Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB) publicou estudo para avaliação dos medicamentos usados no arsenal terapêutico homeopático contra a COVID-19 em território nacional1. O artigo, que encontra-se referenciado, constata dados sobre a pandemia, seus sintomas, gravidade e classificação, bem como a repertorização para o medicamento homeopático dito “gênio epidêmico”, do momento e do território. Alguns dos medicamentos mais usados são Arsenicum album, Phosphorus, Bryonia alba e China officinalis. A Associação Brasileira de Assistência e Reciclagem em Homeopatia (ABRAH) também já publicou estudo sob a Homeopatia na COVID-19, encontrando como gênio medicamentoso China officinalis, bem como associando outros medicamentos para síndromes agudas relativas à COVID-19, como Justicia adhatoda, Gelsemium, Ferrum phosphoricum, Senega e Carbo vegetabilis3. Há ainda referência para higienização da cavidade oral, com Calendula officinalis como colutório3.

Lembrando que apesar do estudo sob o gênio epidêmico, a individualização do medicamento é necessária, bem como avaliação médica competente. Assim, a AMHB também lançou a campanha “Homeopatia na COVID”, de forma gratuita, podendo o paciente ser consultado inclusive por via on-line com médico homeopata para a situação de COVID4. O link para o cadastro e maiores informações sob a campanha é: https://homeopatianacovid.com.br/pacientes/ .

Homeopatia também pode complementar o tratamento na COVID. Ouse saber.

Referências:

1. Dolce Filho R, Nechar RC, Ribeiro Filho A. Estudo preliminar para avaliação de sintomas e medicamentos prevalentes do "gênio epidêmico" da pandemia de COVID-19 no Brasil. São Paulo; AMHB; mar. 3, 2020.

2. NUNES LAS. Experiência de Macaé/RJ com homeopatia e dengue, 2007-2012. Revista de Homeopatia. 2016;79(1/2): 1-16.

3. Grupo de Pesquisas da ABRAH. Protocolo da ABRAH – Pandemia COVID-19. Clínica de Homeopatia – Hospital Servidor Público Municipal São Paulo (HSPM). 2020 Mar 24; Acesso em 02/01/2020; Disponível em: http://www.abrah.org.br/2020/03/protocolo-da-abrah-pandemia-covid-19/

4. Associação Médica Homeopática Brasileira. Campanha Homeopatia na COVID-19 [Internet]. Disponível em: https://amhb.org.br/homeopatia-na-covid19/

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Artigo Científico 3: Vitiligo II

Figura evidenciando vitiligo antes (A,B) e durante tratamento homeopático (C,D). Encontra-se em:
Mahesh S et al. Homeopathic Treatment of Vitiligo: A Report of Fourteen Cases. Am J Case Rep 2017;18: 1276-1283. 


O Vitiligo é uma desordem de pigmentação da pele na qual as células produtoras de pigmento, os melanócitos, ou são destruídos ou têm baixa funcionalidade, por diferentes razões1,2, conforme referido no último post neste sítio. 

Múltiplos fatores podem contribuir para a manifestação do vitiligo, como os fatores genéticos e de herança familiar (também discutido no último post, e em conjunto com um comentário de Hahnemann acerca do miasma hereditário3), nutricionais, hormonais, emocionais e físicos1. Carillo Jr desenvolveu a explanação do miasma psórico (ou diátese) com base na auto- e hetero-intoxicações crônicas, quais sejam, verbi gratia, sedentarismo e alimentação inadequada, excesso de álcool, paixões desregradas, emoções persistentes e ainda a biotipologia agravante4, o que vem igualmente a corroborar com os achados sob a gênese do vitiligo na medicina atual. Ainda, no estudo diatésico, o mesmo autor vem a acrescentar que fatores inflamatórios sub-agudos ou crônicos determinam processo irritativo com ulcerações e escleroses, processo característico da diátese sifilínica (tríade fisiopatológica: irritação, ulceração e esclerose)4, fenômenos que podem ser encontrados no estudo da gênese do vitiligo com a desordem de melanócitos (teorias citotóxicas, neurais, genéticas, que sugerem a auto-destruição de melanóticos)1.

No último post, mostramos uma série de casos de tratamento de vitiligo com Homeopatia2, para um dos quais reproduzimos a imagem acima, por Mahesh S et al. Agora trazemos um estudo para discutir os efeitos da medicação ultra-diluída homeopática in vitro, mostrando ensaios laboratoriais com Homeopatia. Munshi R et al.1, analisaram os efeitos de 4 substâncias ultra-diluídas: peróxido de hidrogênio (HP), ácido Kojic (KA), 6-Biopterina (BP) e hormônio α-estimulador de melanócitos (NLEα). Os três primeiros sabidamente exibem atividade melano-destrutiva, sendo o KA inibidor da atividade da tirosinase, enzima essencial para a produção de melanina, e assim foram escolhidos segundo a Lei dos Semelhantes3.  O quarto componente, o NLEα, é um estimulador de melanócitos.

As substâncias foram ultra-diluídas segundo a escala centesimal até 30CH, aplicadas em meios de cultura celular, tratados adequadamente, e ainda foram estabelecidos controles: dois com álcool e um sem tratamento de cultura celular, prosseguindo análise estatística com valor p significativo a partir de <0,05. Os resultados foram avaliados e comparados para cada grupo nos intervalos de 48 e 96 horas de incubação1.

Em 48 horas: os preparados homeopáticos não evidenciaram efeito citotóxico e o conteúdo de melanina foi significativamente maior para NLE (p=0,015) e HP (p=0,039), quando comparado aos controles. Já em 96 horas: não houve efeito citotóxico, não houve mudança no conteúdo de melanina. No estudo, os preparados demonstraram inibição de tirosinase similar (em média 20%, incluindo os controles, com KA 41%)1.  

Na discussão, os autores lembram que medicações potencializadas a 30CH são questionadas nos efeitos biológicos; no entanto, o estudo evidenciou efeitos melanogênicos em dois preparados homeopáticos (NLE e HP) potencializados, ainda que o mecanismo para NLE não seja totalmente de acordo com a similitude fisiopatológica.

Um pequeno estudo, mostrando mudanças também in vitro de medicações dinamizadas.

Referências:

1.      Munshi R, Joshi S, Talele G, Shah R. An In-Vitro Assay Estimating Changes in Melanin Content of Melanoma Cells due to Ultra-Dilute, Potentized Preparations. Homeopathy. 2019 Aug;108(3):183-187.

2.      Mahesh S, Mallappa M, Tsintzas D, Vithoulkas G. Homeopathic Treatment of Vitiligo: A Report of Fourteen Cases. Am J Case Rep 2017;18: 1276-1283.   

3.      Hahnemann S. Organon da Arte de Curar. Tradução da 6ª Edição alemã. GEHSP Benoit Mure; 5ª Edição Brasileira, 2013.

4.      Carillo Jr R. Fundamentos de Homeopatia Constitucional. Morfologia, Fisiologia e Fisiopatologia Aplicadas à Clínica. Livraria Santos, 1997.


Dengue

  Conhecida também como Febre Quebra-Ossos, o Dengue é parte de um grupo de doenças chamadas arboviroses, causadas por vírus transmitidos po...